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24 febbraio

REALIDADE BRASILEIRA

Por que a elites e a neoburguesia brasileiras se ouriçam quando se fala em Guerra Civil?

 

Por João Batista do Lago[1]

 

Esta questão ocorreu-me após uma entrevista que dei ao jornalista Mhário Lincoln, editor do portal MHARIO LINCOLN DO BRASIL[2], no domingo de carnaval, mas veiculada somente na quarta-feira de cinzas, onde, muito ligeiramente falei sobre essa questão. Para meu espanto, minhas palavras imediatamente à veiculação causaram uma tipologia de “ouriçamento” na audiência do site: 1) visível, e 2) invisível. E isso, para mim, foi uma excelente descoberta (e creio, a será para o jornalista Mhário Lincoln), ou seja, a home tem uma audiência que mostra a cara, que não tem medo de interagir, que não se esconde; e outra: que não se expõe, que se esconde, que é covarde, e que ainda por cima, quando seu nome é exposto na penumbra pede para não ser identificada. Deste fato ocorre-me a seguinte conclusão: a) a existência de uma elite e uma burguesia saudável e b) a existência de uma elite e uma burguesia arrogante, prepotente, discriminatória e preponderantemente ditatorial, e o pior de tudo, insensível às questões nacionais, isto é, preocupadas pura e tão-somente com o enchimento de suas burrinhas e o “brutal” enriquecimento, em contraste com 90% de um povo-nação de miseráveis e pobres. Com aquela (a) pode-se concatenar conversação, debate, discussão, e até justapor ou contrapor idéias no sentido de uma saída para nossas agruras como violência, crime, miséria, pobreza, educação, saúde, favelização... Com esta (b) é impossível quaisquer concatenações, pois, seu método é o já conhecido anonimato e suas práticas ameaçadoras. A esta (b) este meu aviso em forma de poesia, minha arma letal, que jamais se apagará, “apesar de você”:

 

Negação

 

Não aceitarei jamais

A decisão faceira

De me enquadrares

Dentro do quadrado

Mágico da ordem

Bem-estabelecida.

Essa tua guarida

É pura morte

Morte da palavra

Que se calada

Fica de toda ferida

Nos currais da ordem.

Tirai o tapete estendido

Dele não me utilizarei

Minha passagem será livre

Será escarlate – bem sei

Portanto não te ofereças tanto

A quem amor não te tem.

Quanto ao teu corrupto vintém

Assegura-o em tua desgraça

Ele não se fará mordaça

Da livre palavra que graça

Em toda praça com raça

Deste povo que não é chalaça.

=*=

(In EU, PESCADOR DE ILUSÕES, LAGO, João Batista do - Ed. Mhario Lincoln do Brasil, 2006 – 1ª Edição – E - Book Grátis)[3]

 

Feitas estas considerações vamos ao que interessa, ou seja, tentar responder a questão que intitula este artigo: Por que as elites e a neoburguesia brasileiras se ouriçam quando se fala em Guerra Civil?

Antes de tudo, porém, vale dizer que minhas palavras (como bem foi observado por alguns dos interragentes da entrevista) não contêm em si nada de novo. Isto é fato. Antes de dizê-las muitos já manifestaram o mesmo pensamento. Portanto, nada há de novo naquilo que disse ao jornalista Mhário Lincoln. E reflete pura e tão-somente uma manifestação pessoal, melhor dizendo, uma representação da minha mente que teima em não ficar adormecida pelo ópio do Poder, da Dominação, da Burguesia e das Elites que não têm o Brasil como referência, mas seus intestinos. E que, por isso mesmo, pouco se lhes dá em discutir o Brasil real, posto que, o que se lhes interessa é o brasil (com “b” minúsculo) do carnaval, da mulata, do samba, do futebol – manifestações culturais que já nem mais são do povo-massa ou do povo-nação – como “sujeitos operadores” de uma país de alienados. Eis, aqui, a metáfora implícita na “guerra civil” por mim ditada. E neste sentido não tiro uma palavra, uma vírgula sequer, do que declarei. E repito: este país precisa da sua guerra civil para constituir-se como nação, para criar sua identidade e sua cultura próprias. E isto significa dizer, noutras palavras: as elites brasileiras, com o beneplácito das burguesias nacionais, sobretudo essa elite que não mostra a cara, que está escondida nos porões do capitalismo nacional, nos palácios, nos governos, nas instituições, falharam. E falharam feio.

Tome-se como exemplo as palavras de um dos maiores intelectuais que esta nação já produziu, o antropólogo Darcy Ribeiro; brasileiro consciente como poucos ou como nenhum outro: “O povo brasileiro pagou, historicamente, um preço terrivelmente alto em lutas das mais cruentas de que se tem registro na história, sem conseguir sair através delas, da situação de dependência e opressão em que vive e peleja. Nessas lutas índios foram dizimados e negros foram chacinados aos milhões, sempre vencidos e integrados nos plantéis de escravos. O povo inteiro, de vastas regiões, às centenas de milhares, foi também sangrado em contra-revoluções sem conseguir jamais, senão episodicamente, conquistar o comando de seu destino para reorientar o curso da história”.

E diz mais adiante o professor Darcy Ribeiro: “Ao contrário do que alega a historiografia oficial, nunca faltou aqui, até excedeu, o apelo à violência pela classe dominante como arma fundamental da história. O que faltou, sempre, foi espaço para movimentos sociais capazes de promover sua reversão. Faltou sempre, e falta ainda, clamorosamente, uma clara compreensão da história vivida, como necessária nas circunstâncias em que ocorreu, e um claro projeto alternativo de ordenação social, lucidamente formulado, que seja apoiado e adotado como seu pelas grandes maiorias”.

E enfatiza o professor Darcy Ribeiro: “Não é impensável que a reordenação social se faça sem convulsão social, por via de um reformismo democrático. Mas ela é muitíssimo improvável neste país em que uns poucos milhares de grandes proprietários podem açambarcar a maior parte de seu território, compelindo milhões de trabalhadores a se urbanizarem para viver a vida famélica das favelas, por força da manutenção de umas velhas leis. Cada vez que um político nacionalista ou populista se encaminha para a revisão da institucionalidade, as classes dominantes apelam para a repressão e a força”.

Tão claras são as palavras do professor Darcy Ribeiro que dispensam comentários, mas servem para serem introjetadas e pensadas por todos que não se encontram adormecidos pelas benesses dessa “classe dominante”, mas que prefiro continuar chamando de elites brasileiras.

Por outro lado, e por fim, quero encerrar este artigo dizendo o seguinte: minha gênese é o barro do debate, da discussão, e em razão disso aceito, muito embora não concorde ou discorde veementemente dos seus enunciados ou conteúdos discursivos ou ideologias, que sejam postas à mesa, mas ao mesmo tempo sou radicalmente contrário às manifestações academistas ou academicistas, com ar de uma tipologia de professorado, como aquelas que desejam esconder a verdade mais-que-real dentro do campo de um pretenso saber conceitualístico, oriundo de reservas compilatórias de bibliotecas virtuais; assim como não aceito, sob hipótese quaisquer, o encavernamento - por intermédio de um escapismo barato - do núcleo do debate, como aquele que se diz simplesmente que tudo não passa de mero sensacionalismo. Aos defensores desta arte retórica resta-me assinalar o seu grau de aculturação sócio-político, e bem dizê-los promissores defensores da “classe dominante”.



[1] João Batista do Lago, 56, é jornalista, poeta, teatrólogo e escritor.

[3] Solicitar livro: mhario@globo.com

17 febbraio

MELHOR MESMO É A ORIGINALIDADE.

"Prosema"
----------------
 
---------------------------------------------
 
Hoje, lembrei-me de mim!
Hoje, lembrei-me de mim
Me encontrei ali
Ao dobrar daquela
Esquina
Na Avenida calcada
De Noites...
E, vendo namorar a Lua
Me senti com inveja Tua!...
 
 
De Quem??
De mim, quando me encontrei,
Ou da Lua
E das Noites
Na Avenida, cuja esquina,
Ora, dobrei??...
 
Hoje, lembrei-me de mim!
Hoje, de mim lembrei
E me deslumbrei
Com saudades minhas!
Contente, de me ter encontrado
E, apenas, com um "ciumezinho",
Assim, ligeiro... DELA!
 
_A LUA, LA', ALTANEIRA,
FEITICEIRA_...
 
E, falando-Lhe,
Logo ali, Lhe perguntei,
Sem nenhuma cerimonia,
Querendo, Dela saber:
Quem Namora,
ELA, agora!???...
...
?SE, e' ainda o SOL
(esse danado)?...
Que passa o Tempo
TODO,
La', empoleirado,
E, nao vem correndo,
Procura'-LA
Enlaca'-LA
E... mais de perto
Namora'-LA!(??)...
 
Se, e' ,ainda, esse SER
PLATONICO
Semi-atonito,
Andando para Ca' ,
E, para La',
Do Horizonte,
E, ficando ali parado
Mesmo defronte
de Tua Janela
A Diamantes Ornada
E,A Bicos de Estrelas
Debruada!...
...
 
ELA, Enigmatica,
Semi-Palida,
Semi-Fria,
Semi-Lucida,
Semi-Translucida;
Logo me responde
Em sua poderosa VOZ,
Banhada de Lonjura:
_"E', SIM, CRIATURA IMPERTINENTE"_!
 
_"Criatura, que me interrogas,
Como se nao fosses Gente,
Mas, de Mim, SER IGUAL
Te arvorasses!
De Mim,
Como se fosses TU
Deusa Encantada
E, neste Dossel
Debrucada,
Qual Carroussel
PLANETARIO
Que Orbita
E Gravita
Na espiral de Meu
Calvario!...
 
_CALVARIO,
Que e',
Esta "Equi-Distancia"
_DISTANTE_,
*DELE*
_LA'_,
ETERNAMENTE,
E,PLATONICAMENTE,
DE MIM ENAMORADO!...
 
_Porque Me questionas
TU, O' MUlher
SER-GENTE,
Se, estas de Tua Vida
Descontente!?...
Nao imaginaras, por certo,
Meu lugar
Tomar,
AQUI!?...
 
_DEMENTE_!
 
...
 
Hoje, lembrei-me de MIM:
Respondi, eu, logo ali, a Lua
Muito rapidamente;
Porque, Deusas,
Queremos, de Nos Contente!...
 
...
 
_Lembrei-me, hoje, de Mim
E, olhei para Ti,
AI', palida, translucida,
Eternamente Enamaroda
De Um REI
Cujo TRONO
Vale NADA!
 
UM REI,
DE COROA DOURADA
DE RAIOS CHISPANTES,
E BRILHANTES
ADORNADA,
Mas, que PODER
NAO TEM!
 
_PODER NAO TEM,
Para transpor em TREM
Que nao "Descarrila"
Nao oscila
Nem vacila
Na LINHA DE FERRO
DO UNIVERSO!
...
E... continuando correndo,
Galopando na garupa
Desse descomunal
CAVALO DE FERRO
_FERRO EM BRASA_
Patinado a "OURO VELHO"
Qual rara VELHARIA
Da FEIRA DAS VAIDADES
NO ANTIQUARIO DAS VERDADES!...
...
E...
Que  Estranho E' O REI,
Que TE nao ARREBATA
Via Lactea Alem...
Para o outro Lado,
_DO TREM_,
Que corre apressado
Nos Carris Enferrujados
DO TEMPO!...
.....................
 
HOJE LEMBREI_ME DE MIM!
 
Hoje, de Mim lembrei!
E, quando me encontrei
No dobrar da Esquina
Da Tal AVENIDA
CALCADA DE NOITES...
ONDE UMA OUTRA E ,MAIS OUTRA, VEZ TE VI,
NAMORAR O SOL;
ASSIM,
 PLACIDAMENTE,
EMPALIDECIDA
DE MORTE,

VESTIDA DE VIDA!...
...
 
E... pensando, eu,
Sentir, como que,
Um "Ciumezinho de TI*,
Porque, Enamorada
AMADA!
_OU MAL AMADA_!???...
 
Mas, qual ciume, qual nada!...
Logo ali , em MIM,
TE RECONHECI!!!!!
E, de TI,
Irma,
Entao me compadeci!
Porque, como Irma e Deusa,
Nao precisas
 "Posar" em Superiodidade...
Porque, entre NOS,
Existe, por Abismo,
Uma Paradoxal
IGUALDADE!
_*TU*,
 PLANTADA AI',
SEMI-PALIDA,
SEMI-TRANSLUCIDA
SEMI-GELIDA
SEMI-AMADA
SEMI-DESTRONADA
SEMI-TUDO E SEMI-NADA...
 
E, EU,
AQUI,
DESTE LADO DO ESPACO,
DE IGUAL MODO,
PLANTADA,
NO MEIO DO NADA,
NUM PLATONISMO
CONFRANGEDOR
HUMILHANTE
DEMOLIDOR
DESOLADOR
E...EM TUDO
IGUAL A TUA DOR!...
...
 
DEUSA E IRMA,
Palida e Fria
De Feiticeiro Cio
ENLUARADA...
*TU, COMO EU*,
NAO ES DEUSA
NAO ES GENTE
NAO ES NADA!!!!!
 
ES, APENAS PO' DE COSMOS
EM ESFERICA FORMA
PETRIFICADA!
Eu, EM JEITO DE GENTE,
DE ESFERICA ALMA,
POR SETA FERIDA
POR *EROS* LANCADA
_EROS E CUPIDO QUE OS NOMES SAO DOIS OU TRES_
O SER E' UNO!
E' SINGULAR!
MAS, A SETA DOURADA
DE AMOR ENVENENADA,
PENETRA MINHA CARNE
PERFURA A ESFERICA
E, OU, INFORME ALMA
E DEIXA CHAGA ABERTA,
EM SANGUE ,SER LAVADA!
 
E...
 
AQUELA "COISA"
EM DOR DOBRADA
EM VERMELHO DERRAMADA
SEI LA', SE E' ALMA
OU SE E' CORPO:
_SEMI-VIVO!
_SEMI-PALIDO!
_SEMI-TRANSLUCIDO!
_SEMI-DEMENTE!
_SEMI-MORTO!
_SEMI-GENTE...
PENANDO,
P'la accao da mesma
"Equi-Distancia"
Que e' a "Distancia"
_Exacta_
IGUAL,
Desse PLATONICO
ATONITO
DIABOLICO
*REI-SOL*:
AMOR ARDENTE...
DE FERVENTES
QUE SAO
 *SEUS RAIOS*,
OFUSCAM TEUS OLHOS
_ MEUS OLHOS_!...
E, INCENDEIAM
DE FLAMEJANTES CHAMAS,
*O TEU E, O MEU*,
 CORACAO!!!!
.........................
........................
 
Hoje, lembrei-me de Mim!
Hoje, lembrei-me e senti
Como Ambas
Temos Destinos Paralelos
Destinos Similares
Lunares e pateticos
Por Profeticos!
 
Hoje, lembrei-me de Mim,
E, ao lembrar-me VI
Como as Similaridades
Sao tao "Equi-Distancias"
Tao Singulares,
Ou... Tao Sarcasticamente,
Peculiares!...
_TU_
AI' PLANTADA
ETERNAMENTE ENAMORADA!
_EU_,
AQUI PREGADA
_ESTAGNADA_
PRESA A UM PEDACO DE TERRA
ONDE, BREVE, BREVE...
MUITO EM BREVE,
NUM LAPSO DESSE PROFANO
*TEMPO*,
SEREI POR DESTINO OU DESTINACAO,
TAO SOMENTE,
PROFETICAMENTE,
*PO', CINZA, E, NADA*!!!!!!!
.....................................
.....................................
HOJE!
HOJE...
BEM...
 
HOJE, LEMBREI-ME DE MIM!
 
E...HOJE, ME VI E NAO ME RECONHECI!!!!!!!!
 
..........
 
HOJE, LEMBREI-ME DE *TI*!
LEMBREI-ME E TIVE *DO'*:
_DO', DE TI* EM MIM*_!!!!!!!!
 
...
.......
.............
 
HOJE, LEMBREI-ME DE MIM!...
LEMBRANDO-ME,
 SENTI,
QUE, DE *TI*,
*DELE, OU...DE MIM*,
ME PERDI!!!
.........................
 
ENTAO,
AO DOBRAR DAQUELA ESQUINA,
DA  AVENIDA, CALCADA DE NOITES,
VENDO NAMORAR A *LUA*...
EU, JA' NAO SENTI INVEJA :*TUA*_O' LUA_!
...
 
O, que eu, senti, SIM,
Foi INVEJA DE MIM!
E, DAQUELE DOBRAR DE ESQUINA
EM NOITES BANHADAS DE LUAR
NAQUELA AVENIDA
DE FRONDOSAS ARVORES
VESTIDA;
POR ELAS, BELAS E ALTANEIRAS,
LADEADA
ONDE *EROS* SE ESCONDIA
E AMOR SE MOSTRAVA
E, COM *PSIQUE*,
EM JOGOS DE PRINCESAS ADORMECIDAS
EM LAZERES SE ENCANTAVA!...
E... ONDE O VERBO *AMAR*,EM TODOS OS MODOS, SEM TEMPOS
[DEFINIDOS]
SE CONJUGAVA!
...
E... AS SETAS DE CUPIDO
ERAM DE OURO E CALIBRE ESPECIAL
QUE, SENDO FATAL,
TRESPASSAVAM
MARCAVAM
MAS SEM DOR! E,
SEM CHAGA ABRIR!...
...
E... AS MANHAS ACONTECIAM
EM AURORAS DE *ABRIL*!
 
E... AS *ROSAS*
_EM MAIO_
SE DESFOLHAVAM
EM PETALAS MIL!...
 
CHOVIAM DO CEU
AS PETALAS,
COM TONS E OLORES TAIS...
QUE ATE' A PALIDA
E PLACIDA *LUA*
FAZIAM *SORRIR*
MESMO, ANTES,
DO *SOL*
TER DE SE DESPEDIR
PARA SE RECOLHER
E REPOUSANTE SONO DORMIR!!!
.........
 
DORMIA O SOL!
DORMIA EU!
VELAVA A *LUA*
*O SONO MEU E... O SONO TEU*!!!
...
........
 
HOJE...
HOJE, LEMBREI-ME  DE MIM!!...
 
HOJE...
HOJE, LEMBREI-ME DE *TI*!!!
 
E...
HOJE,
ME INTERROGO;
A MIM,
AO SOL,
A LUA:
_"SERA', QUE EM ALGUM DIA,
EU TE CONHECI?...
OU...TE VI,
MAS, NAO TE RECONHECI???...
 
........
...........
......................
 
HOJE, ACORDEI, PENSEI EM TI
E, ESQUECI-ME DE MIM!
 
.................................FIM.......
Escrito em 1 de FEVEREIRO de 2007*
EM BATH (Manha sob o Ceu de BATH!)
***************************************************Heloisa B.P.
09 febbraio

POEMA PARA JOÃO

POEMA PARA JOÃO*

 

Por João Batista do Lago

 

Para ele a vida era apenas um começo!

Tudo era descoberta. Tudo.

Mas a algoz violência calou João.

João está mudo!

Antes mesmo do deserto da vida calaram João.

Mataram João.

Agora João, a esperança, está mudo.

Agora tudo está mudo.

 

O calvário de João

Tomado de assalto pelo ladrão, que

Sem qualquer perdão

Arrastou o corpo de João pela

Cidade Maravilhosa,

Começou no semáforo,

Anticorpo das artérias da cidade...

Da cidade de João.

 

Chicoteado pelo asfalto,

Arrastado pelo sonho do consumo,

João desfilava sua dor

Entre os gritos das gentes:

- Párem... párem... párem,

Pelo amor de Deus, párem!

Mas Deus não estava ali

Para salvar o pequeno João.

 

Golias venceu Davi!

Agora João está mudo, e

Não está mais aqui, e

Não terá mais o Rio para

Batizar a Vida, e

Não terá mais o mundo – este deserto -,

Para deblaterar contra

A insensatez da miséria.

 

Quanta pilhéria nos

Revela o calvário do pequeno João!

João está mudo,

Mas se instala em cada coração

Para dizer a toda gente:

- prestem atenção senhores dono do mundo,

Eles não têm razão, e vós, que razões querem ter?

Escutai, escutai com coragem a voz do Ser.

 

Ah, João não está mudo!

João agora é cada um... é cada ser.

E cada João não quer esquecer

Que em cada ser há um “bom” ladrão...

Ladrões de joões e josés, de marias e madalenas

Que revelam em suas cantilenas

O sofrimento da hora, da agonia de agora,

Mas logo em seguida esquecem a Maria que chora.

 

João não está mudo!

Está plantado no alto do morro,

De braços abertos, está

Gritando ao mundo, está

Pedindo socorro, está

A toda gente, a todo crente,

E aos donos do mundo, está

Dizendo: menos riqueza... dai conta da miséria e da pobreza.

 



* João Hélio Fernandes, de seis anos, foi arrastado por um carro, durante um assalto.

 

01 febbraio

Uma letra à procura de uma música (II)

RAIO DE LUZ

 

Por João Batista do Lago

 

Quando ela surge

Pelos palcos da vida

Um raio de luz... Reluz!

Traduz no olhar

No leve balé do seu corpo

Toda emanação da lira

Que encanta o meu sonhar

No verso e na prosa (e)

Faz-me rir. Faz-me chorar.

E assim vou vivendo

Na raia do tempo querendo

Um instante sequer no palco

Ser um pouco do talco

Que embeleza seu rosto

Ser o batom que beija cada palavra

Que lavra na alma do ouvinte

Toda felicidade que raia

Na divinal comédia da vida

Ou mesmo na tragédia dolorida

A mais doce canção verberante

Na alma deste Sansão errante.

PROCURA-SE UMA MÚSICA PARA ESTA LETRA (I)

SEREIA DE PONTA D’AREIA

 

Por João Batista do Lago

 

Vou pedir pra Iemanjá

devolver meu amor,

que o vento encantado levou

em noite de lua cheia,

da praia de Ponta d’Areia;

em noite de lua cheia

vento encantado roubou minha sereia.

Vento safado...

Teu canto encantado

de pura sofreguidão

é ilusão passageira;

é mentira... é solidão;

não sabes do amor o abraço,

nem do gozo o feliz cansaço.

Traz de volta meu amor;

quero de novo sentir

o gozar do seu sexo

em noite de lua cheia,

rolando por toda areia,

no balanço da maré-cheia,

na praia de Ponta d’Areia.

Não demores, oh vento maldito!

Quero de volta amar minha sereia

em noite de lua cheia,

na praia de Ponta d’Areia;

Iemanjá por testemunha (vou)

rolar por toda areia (vou)

no balanço da maré-cheia (vou).