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28 February

EUSIMBÓLICO

EU SIMBÓLICO

 

© DE João Batista do Lago

 

Resta-me da ossatura a

Carne de todos os símbolos

Perambulando entre os

Apriscos da floresta

Pictórica de muitas moradas

São meus alimentos os

Instintos selvagens dos

Instantes angustiados...

Sou fera rara! Tão rara

Quanto temporais de sonhos

A vida – minha catacumba! –

Encorpa minha alma de espíritos

Hora puros... Outras impuras

Sob o açoite de vergastas

Que me movem em direção aos nadas

Selo com meus símbolos a

Diáspora de todos os povos

Encarcerados nos andaimes dos

Caminhos para Babel:

No final da jornada não há céus

Todos os demônios unem-se

Numa desesperada oração onírica

E entoam hinos sufragantes

E choram choros lamuriantes

– gritos das minhas alcatéias! –

Oh! Sensações de ondas em espirais

Que me fazem vibrar no umbral de

Loucuras santas – tantas e quantas! –

Perdoa o corpo que te abriga as dores

Salva-o dos chicotes das representações

E me revelas o sonho real

Gerado nas profundezas da carne imaterial

É lá onde desejo ser toda Possibilidade dos

Sonhos mais sublimes e perfeitos e

Matizar minhas cores na ossatura do eterno

__________

Leia mais textos deste autor aqui: http://joaopoetadobrasil.wordpress.com

 

22 February

JOSÉ NASCIMENTO DE MORAES FILHO, MEU MESTRE E ÍCONE, MORRE AOS 86 ANOS EM SÃO LUIS - MARANHÃO

Acabo de receber este e-mail dando-me conta do falecimento de uma das pessoas que me foram mais caras na vida, o Professor José Nacimento de Moraes Filho...

Estou pasmo!
Confesso que nem ser o dizer neste instante.
O professor
Nascimento de Moraes foi um ícone para mim. Se hoje sou poeta... O sou pelo muito que recebi dele, sobretudo o incentivo que nunca me faltou. Ele gostava da minha poesia, muito embora a "remendasse" (como dizia ele), com carinho e afeto didáticos e literários, para torná-la mais crítica e mais audaciosa.
Tenho em conta que, do muito que sei, veio-me por intermédio de
José Nascimento de Moraes Filho.
Aceite meus pêsames pela morte dele.
Fraternalmente.
João Batista do Lago


Eis o teor do e-mail:

[© 2007 Joao Poeta do Brasil] Comentário: "Artigos"‏
De: José. N. M. Neto (donotreply@wordpress.com)
Enviada: sábado, 21 de fevereiro de 2009 23:22:46
Para: joaobatistalago@hotmail.com

Novo comentário sobre o seu post #221 "Artigos"Autor: José. N. M. Neto (IP: 189.81.18.9 , 18981018009.user.veloxzone.com.br)Email: lenamo@globomail.comURL : Whois : http://ws.arin.net/cgi-bin/whois.pl?queryinput=189.81.18.9Comentário:O poeta
José N. Moraes Filho (15/07/1922 -21/02/2009) faleceu hoje na cidade de São Luís - Ma aos 86 anos, após uma rápida parada cárdio respiratória às 07:45 no Hospital UDI, S. Luís – centro. O poeta era cardiopata, mas mantinha-se com saúde estável. Hoje em sua residência às 07h00min da manhã ao acordar, sentiu um leve mal estar, sendo encaminhado ao hospital por familiares, faleceu no transcurso. Ao chegar ao hospital, submeteu-se aos procedimentos de rotina...sem retorno...! O velório acontece na sede da Pax União – centro. O enterro ocorrerá dia 22(domingo) às 10h00min da manhã no Cemitério do Gavião (centro). Em conversas familiares (referido por uma das filhas) ele queria morrer sem sofrimentos prolongados, em dia claro, ensolarado e festivo...Transcendental, católico, em sua linguagem quântica escreve em seus poemas como concebia vida e morte:

 

"a luz projetou-me no infinito

e cosmovisionou-me até a origem das origens!

e me vi gerar!... e me vi nascer!..

- antes dos universos!

Livre!...Livre!..."

 

“... eu não nasci para mim!

- nasci para a humanidade!...

eu não nasci para aqui:

- nasci para o universo!"

 

Descanse em Paz poeta!

Só o fato de ressuscitar a primeira romancista negra do Brasil, foi uma de suas maiores missões neste plano!

Obrigado J. Batista pela homenagem em vida que prestastes ao poeta com a belíssima

"METONÍMIA"!

 

Atenciosamente,

J. N. M. Neto.

 

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__________

Este foi o poema que dediquei ao mestre
Nascimento de Moraes (ainda em vida):

Metonímia

(Ao mestre José Nascimento de Moraes Filho,
poeta maranhense, espírito libertário do meu tempo,
que não cansa sua utopia de libertação.)


© DE João Batista do Lago

Uma voz metálica
sob a contemplação de João Lisboa
corta a barreira do vento para atingir
na outra margem da Ágora
os surdos ouvidos que
não desejam o verdejar da Ilha
que chora nas suas entranhas
a transfusão da lama vermelha.

O velho libertário
ainda que libelo solitário
quer vaticinar sua dor
num grito quase que terminal
como uma ferradura
entre os desilhados franco-luso-brasileiros
já quase derrotados em sua rebeldia
antes orgulhosa e cheia de galhardia.

A marca do tempo.
O tempo da marca.

Marca que ferroa o chão
de dor e de horror
Marca que impede ecoar
o grito parado na garganta:

alcooooooooooaaaaaaaaaa...
da alcova dos poderosos
não há de vingar nenhum descendente
apesar do tolo condescendente que te ama.

A metálica voz singra
e se faz ouvinte discurso...

No outro lado da praça
onde ouvidos moucos
- que desgraça!
antes filhos da rebeldia
hoje Narcisos “aluminados”
que iluminam o desencanto
da ilha que chora
o (quase!) derradeiro ato
ouvem
ainda que rouca pelo tempo
a voz metálica do velho libertário:

“Estarei sempre atento às tuas investidas
mesmo que isso me cause a morte
mas não te deixarei por sorte
a vantagem insana de me esculpires
na alma – com a tua lama –
a tua marca miserável de dor e fome”